17 de agosto de 2026 · 5 min

Eclipse lunar parcial de 27–28 de agosto de 2026: horários e como ver

Na noite de 27 para 28 de agosto de 2026 a sombra da Terra cobre 93% da Lua. O Brasil vê o eclipse do início ao fim, com a Lua alta.

Eclipse lunar parcial de 27–28 de agosto de 2026: horários e como ver

Na noite de 27 para 28 de agosto de 2026 a Lua vai entrar fundo na sombra da Terra. Tecnicamente é um eclipse parcial, mas por pouco: no máximo a sombra cobre 93% do diâmetro lunar, deixando apenas uma faixa clara e fina numa das bordas enquanto o resto do disco fica vermelho-acobreado.

Para quem está no Brasil, é o melhor eclipse lunar de vários anos: acontece com a Lua alta e o céu completamente escuro. E é o último que vale a pena por um bom tempo — os dois eclipses de 2027 serão penumbrais e quase imperceptíveis.

Horários do eclipse

Fase UTC Brasília / São Paulo Manaus Lisboa
Entra na penumbra 01:24 22:24 (27) 21:24 (27) 02:24
Início da fase parcial 02:34 23:34 (27) 22:34 (27) 03:34
Máximo — 93% coberto 04:13 01:13 00:13 05:13
Fim da fase parcial 05:52 02:52 01:52 06:52
Sai da penumbra 07:02 04:02 03:02 08:02

A fase parcial dura 3 horas e 18 minutos — uma das mais longas da década. As etapas penumbrais no começo e no fim são bem discretas: o espetáculo começa de verdade quando a Lua toca a sombra real, a umbra.

Onde será visível

Um eclipse lunar é visível de qualquer lugar onde a Lua esteja acima do horizonte. Como a Lua eclipsada está sempre cheia, ela se põe perto do amanhecer — e isso decide quem assiste.

  • América do Sul e do Norte — o eclipse completo. As melhores condições do planeta. No Brasil, na Argentina e no Uruguai o máximo chega com a Lua bem alta, no meio da noite; no México e na América Central, no início da noite; na costa oeste dos Estados Unidos a Lua nasce já eclipsada.
  • Portugal — a maior parte, incluindo o máximo. Em Lisboa o máximo ocorre às 05:13, com a Lua baixa a oeste e o Sol ainda a quase duas horas de nascer. Nos Açores a Lua fica mais alta ainda.
  • Angola, Moçambique e a África ocidental — boas condições antes do amanhecer, com a Lua a descer no oeste.
  • Europa central e do leste — dá para ver a sombra avançar, mas a Lua se põe perto do máximo.
  • Ásia oriental e Austrália — não é visível: lá é dia.

Confira o horário exato em que a Lua se põe na sua cidade na página da Lua — perto do horizonte, vinte minutos mudam tudo.

O que acontece de verdade

A Lua não brilha sozinha: ela reflete a luz do Sol. Quando a Terra fica exatamente entre o Sol e a Lua, projeta um cone de sombra no espaço, e a Lua entra nele.

Mesmo assim ela não desaparece. Parte da luz solar se desvia ao atravessar a atmosfera terrestre, que espalha o azul e deixa passar o vermelho. O que chega à Lua eclipsada é o brilho avermelhado de todos os amanheceres e crepúsculos da Terra somados naquele instante. É por isso que a região na sombra fica cor de cobre, e não preta.

Outro detalhe: a Lua passou pelo apogeu em 22 de agosto, ou seja, está perto do ponto mais distante da órbita, e o disco vai parecer um pouco menor que o normal — uma "microlua", o oposto da superlua.

Como observar

É o fenômeno astronômico menos exigente que existe. Não precisa de equipamento nenhum, olhar para a Lua é totalmente seguro (diferente de um eclipse solar) e a poluição luminosa quase não incomoda: a Lua vence qualquer cidade.

  • A olho nu. Basta ter vista livre para a parte do céu onde está a Lua. As mudanças aparecem em 10–15 minutos.
  • Com binóculos. Realçam a cor. Assim fica claro que a sombra não é preta, mas avermelhada, mais escura no centro.
  • Fotografia. Use tripé. Para o disco na sombra, comece com ISO 800–1600 e 1/2–2 segundos, e varie a partir daí. No celular, ative o modo noturno e apoie o aparelho em algo firme — na mão quase nunca dá certo.
  • Nuvens são o único risco real. Abra a previsão do tempo astronômica um ou dois dias antes: ela mostra a nebulosidade por camadas e dá uma nota de 0 a 100 para a noite. A Lua é brilhante o bastante para atravessar nuvens altas e finas.

Dica prática: saia para olhar no início da fase parcial e de novo quarenta minutos depois. É essa mudança que transforma o eclipse em algo que você viu, e não apenas leu.

Quando será o próximo eclipse lunar

Este encerra uma boa sequência: três eclipses totais da Lua entre 2025 e 2026. Depois vem a calma:

  • 20–21 de fevereiro de 2027 e 17 de agosto de 2027 — penumbrais. A Lua apenas raspa a sombra externa; o escurecimento aparece mais na foto do que a olho nu.
  • 12 de janeiro de 2028 — parcial, visível das Américas, Europa, África e oeste da Ásia.
  • 6 de julho de 2028 — parcial, cerca de 39% do disco, visível da Ásia e da Austrália.
  • 31 de dezembro de 2028eclipse total da Lua, com 71 minutos de fase total, totalmente visível do leste da Europa, Ásia e Austrália.

O que vem depois

  • 4 de outubro — Saturno em oposição: visível a noite inteira e mais brilhante do que em qualquer outra data do ano. Os anéis aparecem mesmo em um telescópio pequeno.
  • 8–9 de outubro — as Dracônidas praticamente sem Lua no céu. Uma chuva imprevisível que às vezes explode em atividade. Você pode ver qual chuva de meteoros está visível hoje em qualquer dia.
  • 15–16 de novembro — Marte e Júpiter a apenas 1°12′ em Leão: dois pontos brilhantes lado a lado antes do amanhecer, a olho nu.
  • 14–15 de dezembro — as Gemínidas, a chuva mais intensa do ano (até 150 por hora), e em 2026 a Lua se põe cedo na noite do máximo.

Instale o AstroTools para não calcular nada à mão: ele mostra o nascer e o pôr da Lua para a sua localização exata, o calendário de eclipses, a nebulosidade por camadas das próximas noites e avisa antes do evento — seja o máximo de uma chuva de meteoros ou a passagem da Estação Espacial.

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